Em agosto de 2007, voltei das primeiras férias que passei em São Paulo. Sofri feito o diabo. Chorava o tempo todo. Não tinha com quem sair, passava as sextas e os sábados a noite no telefone com o Zé, rindo, só pra passar horas chorando depois de raiva pura. Putz, era sofrido.
O problema é que eu me lembrei por um mês como era morar lá, e voltei praquele lugar que gritava: 'SIFUDEUCURTEAVIBEPQTUMORAAQUIAGORALARANJA'. [embora naquela época as gírias não fossem 'laranja', nem 'vibe']. Eu gostava de Itapeva... mas amava São Paulo. Férias em Itapeva era incrível, mas morar lá era um saco. Eu não tinha amigos. Quando passei a ter... aí sim virou a maravilha do mundo. Mas antes, com 17 anos, eu era incapaz de me divertir sem amigos.
Mas um dia a gente cresce, eu percebi nessas férias. Quer dizer, eu já sabia, mas tinha terror dessa sensação. Acontece que um dia a gente não precisa mais ser um gominho nem de outros gominhos pra ser a mexerica inteira. Eu aprendi a não ser mais um gominho. Aliás, isso veio totalmente naturalmente. [eoecooecooeeeco]. Voltei pra Americana com medo de afundar em darkness de novo, mas foi bobagem da minha parte. Nada mudou de hoje praquele agosto de 2007, eu continuo sem ter amigos com quem possa sair e tal. Mas hoje não preciso mais disso.
Hoje eu sou muito Nádia, não preciso mais de um rebanho, e tenho sim algo que eu não tinha da outra vez: à mim mesma.
Me desgarrei do rebanho. Não digo que sou uma ilha, só digo que não preciso mais de mil pontes com o mundo exterior. E isso não é doloroso, é fácil e gostoso. Só sabe o valor de sentar numa praça sozinha com um livro e um maço de cigarros quem sabe o valor da solidão e do silêncio.
Em Itapeva sou menina, adolescente, com a turminha da escola, gritando, rindo alto, fazendo escândalo. É taãããõooo bom *__*
Em Americana sou uma mulher, livre. Livre pra poder ir onde quiser, poder pensar o que quiser, poder fazer o que quiser. E todos os medos que eu tinha em relação à isso eram bobagens. Na terça-feira, primeiro dia de volta das férias, andei por aí á toa, e percebi que é isso aê, manow. Não tem valor poder vagar por aí, flutuando, mudando de forma, às vezes trovejando, às vezes chovendo, sem pedir nada pra ninguém, nem ter que marcar encontro, explicar atitudes ou atrasos, explicar escolhas, ter que fazer escolhas! Só eu.
Sou uma nuvem.
Eu queria que todos entendessem isso.
E também quero deixar claro que as presenças de Allan e Bia, as pessoas que eu mais convivo, não tiram em nada essa minha liberdade. Porque nós somos todos umas três nuvenzinhas no céu, embora Allan venha a morrer com essa informação, AHHAHA
E outra coisa: antes de fazer 19 eu estava aterrorizada em me 'tornar mulher', sentia estar amadurescendo amadurescendo, a ponto de não ser mais broto e cair da arvore.
Medinho a toa, foi.
Eu cai sim.
Mas a queda foi macia.
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