domingo, 27 de setembro de 2009

Estou saindo, acho;



enfiei na minha cabeça bem forte que nós vamos pra São Paulo ver o AC/DC e ficar uns bons dias-dessestress-pré-vestibular por lá, ver o Faichecleres com a Mônica e a Bia, ir na Funhouse com todos os paulistanos que eu amo, passar o Natal na minha vovó, que eu vou passar no vestibular, que o Allan vai pra Itapeva e vai voltar antes que eu pisque meus olhos, que de alguma maneira mágica eu vou poder passar o reveillon com a Marta, a Monique, a Bia, a Duda, a Dri, o Jeh e o Net do meu lado - SÓ NÓS - em algum lugar do mundo que não me interessa, que dia 2 de março começam as aulas, e vai haver uma foto minha com UNICAMP escrito na testa e uma camiseta escrita FOI MAL, A MINHA É ESTADUAL no meu corpo passando no telão do Objetivo, no meio de todos os outros bixos do Mackenzie, da Puc, do caralho a quatro, eu vou poder me mudar, e vamos morar eu, o Allan, o Gustavo e o Matheus, e vou conhecer muita muita gente e ir à muitas festas, e vou falar/ouvir/ver história 24 HORAS POR DIA!, vou conhecer um monte de gente que vai saber que se eu gosto de ler, gosto de filmes, gosto de falar sobre coisas chatas e filosoficas, gosto de fumar, gosto de passar a tarde/noite sentada na grama conversando sobre a vida, gosto de ter sede de conhecimento, é porque eu sou assim, por mim mesma, e eu nunca ME TORNEI essa pessoa, por nada nem ninguém: eu nasci assim.


A questão de 'completude' me é tão clara agora, TÃO. Porque eu sempre fui 60%, 70% completa, por estar longe de São Paulo e só poder falar pelo telefone, pelo msn, por carta com meus amigos, por não ter um broto, por não ter um bom relacionamento com meu pai. Mas mesmo assim, eram coisas contornáveis, e eu sabia viver dessa forma.

Agora eu namoro meu melhor amigo, me dou muito melhor com meu pai.
Eu não quero ofender ninguém com o que eu vou dizer agora, mesmo porque eu acho que não é nenhum segredo pra quem está na minha vida agora:
mesmo sendo muito feliz, muito mais do que eu esperei ser, muito mais do que eu mereço ser em partes especificas da minha vida, eu nunca me senti tão vazia.
Parece que falta 80 e tanto por cento da minha alma, e eu não consigUIA entender!
E todos me falam 100% do tempo que eu devo deixar isso pra lá, viver como eu posso, focar no futuro.
E pra mim isso é uma ofensa.


Eu não quero mais que ninguém mais fale comigo. Eu não quero ver as pessoas agindo como se eu fosse contagiosa. Eu não quero saber que as pessoas que eu sempre achei essenciais na minha vida - e agora tudo o que eu estou passando só me confirma tudo isso - acham que tudo o que eu sinto é frescura e vontade de continuar doente.

Mas a coisa que mais me surpreende sobre isso é que simplesmente não me importa.
Não me importa. Odeio todo mundo ficar dizendo que eu devia esquecer qualquer coisa que tenham OU NÃO me feito, dito OU NÃO dito, deixar pra lá, não pensar sobre isso que logo passa.
Acontece que eu eu não quero. Eu quero elas falando comigo, me mandando scraps, me contando coisas por depoimento como deveria ser.
E eu pedi milhares de perdões de todas as formas por ter magoado quem quer que fosse. Mas eu realmente acho que tem coisas que a gente tem que aceitar sobre nós mesmas, e sobre as outras.
Me arrependo de ter passado taaantas tardes com o Allan em julho. Queria ter podido ter algumas noites no bar, ou na rua, na chuva, na fazendo ou em qualquer lugar sozinha com a Marta. E com todas as outras. O tempo que a gente passou juntas, todas nós, foi muito bom. Quase todo, rs.
Mas o fato é: dia 23 de julho, ele e minha irmã fizeram o impossível pra me fazer um bolo. E eu sou grata por tudo que ele e o Henrique me fizeram.
E eu sei que depois que eu voltei, eu falei falei falei falei falei um monte de coisas - NOVENTA POR CENTO merda, claro - e não tive capacidade pra ouvir ninguém. Me arrependo POR BOSTA.
MAs eu li de pessoas que eu amava que eu bancava a louca e podia bater a cabeça na parede se quisesse, só não podia encher o saco de ninguém, e logo em seguida ler que as pessoas me amavam como ANTES, solteira, em letras muito claras, tipo, não fui eu que interpretei errado, tava lá escrito. Quatro vezes. E eu tive que ler isso enquanto minha cabeça não era capaz de um unico sentimento feliz, nenhum momento de paz, quando eu ia afundando em depressão e a morete era tudo tudo tudo o que eu queria. Eu detesto falar essas coisas, pq fico com medo de soar 'drama' e/ou 'encheção de saco'. Mas são os fatos.


O fato é: todas esperávamos coisas diferentes. Acho que não fiz nada ainda pra tentar fazer as coisas voltarem o máximo possivel como antes porque eu TÔ MORTA COM ESSE ASSUNTO, JÁ, não aguento mais pedir desculpas e explicar, e eu tbm sou uma pessoa que não consegue pedir desculpas sem lembrar os outros dos próprios erros, e isso fica uma coisa sem fim que me deixa tonta,

Mas o fato é que eu dormi a noite inteira no meu quarto, sem nenhum pesadelo e não acordei chorando, depois de dois meses disso.
Eu estou me sentindo cada dia melhor, e agora tudo o que eu precisava, DESCULPA DIZER MAS EU NÃO AGUENTO MAIS, é de uma tarde falando bosta e rindo muito, sem nenhuma palavra sobre nenhuma briga, nem nada, com Marta Maria de Almeida.



'só queria saber o pecado que cometi pra perder minha melhor amiga.. só isso.'





[Allan, Beatriz, Henrique, Adriele durante as férias, Jeferson no últimos tempos e Elena sempre. Um obrigada do tamanho do mundo e do que vcs fizeram pra mim eu nunca vou esquecer, desculpe qualquer coisa]

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Oito.

lá estava ela sentada na calçada, faltava pouco pra amanhecer. eles estavam juntos, andando e conversando há algumas horas, mas pareciam minutos. na verdade, pra ela, parecia que ele a conhecia mais do que ela própria e isso a assustava. achava injusto. queria poder dizer o mesmo: 'esse aí eu conheço há alguns dias, estamos conversando pela primeira vez há algumas horas, e já conheço todos os seus mistérios...'. talvez não conhecesse realmente. mas podia enxergar as janelas daquela alma. isso a assustava. ela tentava prestar toda atenção no que ele estava falando, mas não conseguia. não conseguia parar de pensar na estranheza daquilo tudo e aonde aquilo ia dar. planejava, sem ao menos saber o que ele queria dela. olhava naqueles olhos e pensava: 'isso não é justo. como ele pode ter tanto poder sobre si mesmo? e porque só algumas pessoas que conversam com ele por horas e horas e horas conseguem ver que ele não é louco, nem arrogante, nem pedante, nem grosseiro? não é possivel que ele goste de que pensem isso sobre ele. acho que ele não tem escolha...'
ela queria muito entender tudo o que ele dizia, não apenas sobre música, sobre livros, sobre o seu universo. ela parecia saber exatamente o que dizer sobre as dúvidas mais profundas que ela tinha, entender o que ela sentia melhor do que ninguém. ela se sentia nua e sem defesas. mas gostava. ela precisava demais entender o que ele dizia. 'você pode entender algo, imediatamente. mas compreender, é algo muito mais complexo e completo, e pode levar anos', ele disse. ela dizia que entendia, mas sem saber muito bem quando iria compreender. e se preocupava em manter o sorriso e o resto sereno, responder tudo da forma mais surpreendente possível, mostrar pra ele como ela podia um dia compreende-lo.
e a noite tinha passado, e ela não conseguia deixar de pensar que agora ela já se sentia muito melhor do que há algumas horas atrás. e que ela já entendia mais de si mesmo e dele próprio do que no começo daquela caminhada; isso a espantava. 'foram 4 horas. as 4 horas mais complexas, esclarecedoras, bonitas, divertidas e ALIVIANTES da minha vida.'
agora lá estava ela. ela nota ele se mexendo, não entende, até fica meio assustada. então ele deita no seu colo e pega sua mão.
'estou fazendo cocégas?"
ela notara que ele passava seu polegar de um lado pro outro da mão dela. queria responder: 'queria poder sentir isso pra sempre', mas mesmo na sua cabeça essas palavras soavam ridiculas, patéticas, piegas. ao inves disso, riu e disse: 'não, não, é gostoso!'
riam, riam, riam... ela se sentia muito bem. não costumava conversar tanto com desconhecidos, nem sair andando pela madrugada com desconhecidos, nem ir do outro lado da cidade, em um lugar que ela não conhecia, com desconhecidos. entretanto, lá estava ela. e ela não sentia medo. não mais.
há alguns dias, tudo a assustava, e ela via tudo o que fazia como a última coisa que faria em muuuuito tempo. sabia que ia embora. se torturava pensando nisso o tempo todo. o tempo todo.
menos naquelas horas, naquela madrugada. ela tinha se esquecido.
e ele a lembrava: 'quando você vai embora?'
'dia 25 de janeiro'
'eu vou no final de fevereiro. aí a gente pode se encontrar lá, né? tomar umas cervejas, ouvir um rock and roll!'
ela sorria sem ao menos perceber o movimento dos seus lábios. passava seu polegar pela palma da mão dele também.
então ele levantou, bruscamente.
'vamos ouvir música na minha casa?'
'aaaaah... não sei... melhor não, está tarde! tenho que voltar pra casa. tem gente me esperando lá'
e então, de repente, ela sabia o que ele ia fazer em seguida. e ele fez.
e ela não sabia mais o que fazer, nem o que responder.
se levantaram, e deram as mãos. ela parou por um instante, tentando entender a verdadeira importância do seu próximo passo, o primeiro de muitos.
e assim que realmente o deu, compreendeu.

assim foi a madrugada de 15 de janeiro e 2009.


e já faz oito meses!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

As vezes eu fico pensando bem forte porque as coisas acontecem do jeito que acontecem... perco o sono. E não acho resposta.
Eu me lembro de quando fui pra Itapeva, fiquei meses pensando sobre isso. Sobre a vida, sobre porquês. Não me adiantou de nada. Tudo que veio, veio porque veio e por vir. Só pra vir.
Não adianta. Pensar no porquê das coisas está se provando o caminho mais rápido pra me deixar louca.



Por isso eu larguei do meu fotolog, por exemplo. Chegar no fim do dia e ter que fazer um resumo de tudo o que eu passei acaba sendo mais torturante do que viver. E por isso eu tinha trancado antes o guestbook: é mais torturante ainda pensar no que as pessoas felizes e despreocupadas pensam quando lêem as coisas que eu escrevo. Porque eu sei o que elas pensam: drama-chilique-enxeçãodesaco-chatice. E esse é também um dos motivos principais de eu não querer ter mais um fotolog; eu acabo sempre lendo o que escrevem. E não faz bem pra mim.



É extremamente patético e doloroso ficar relendo as minhas dores por aí. Eu não consigo mais sentar, pegar minha a genda e escrever o que aconteceu. Não consigo mais postar aqui, nem no fotolog e não entro mais no msn. Porque ontem eu fui falar com a Marta, e não tem jeito. Todas as vezes que eu falo com ela fico tão vulnerável, me sinto uma menina de 15 anos, antes de eu perceber já estou falando como uma louca, porque eu acho que ela, de todas as pessoas do mundo, vai entender o que eu passo, porque eu passo e vai me ajudar a sair. Mas eu sei que não é agradável pros outros ficar ouvindo [lendo], e muito menos ver. Eu penso mil vezes antes de escrever as coisas, porque eu sei [rrrrrrrrrrrepito] o que as pessoinhas tranquilas pensam quando leem essas coisas.
Eu queria que as coisas não fossem assim, e fico pensando o tempo todo sobre o porque de serem.
As vezes eu acho que não vai dar certo, enfrentar sozinha tudo o que eu estou passando JUSTAMENTE por estar sozinha! É um paradoxo tão doido que só faz sentido na cabeça da minha psiquiatra, mesmo.
É como eu disse: pensar no porquê das coisas está se provando o caminho mais rápido pra me deixar louca.
E isso aí não é só opinião minha. E antes fosse apenas drama.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

eu tenho tanta tanta tanta coisa pra falar, TANTA. eu cheguei num nivel mental que não cabe mais pensamento aqui na minha cabeça. isso que é o chato de não ter com quem conversar, vai tudo acumulando.

eu cheguei à essa conclusão no domingo. voltando de campinas encontro a Laureeeeeeeeeeeeeeeeeeen no onibus voltando do trabalho e a gente senta junta. nessa primeira oportunidade em muito tempo de conversar com alguém que não seja minha irmã ou meu namorado [tirando quando eu estava em itapeva], eu não coneguia calar a boca, sofri duma terrível verborrogia que não parava nunca, e acabei contando toda a minha vida, meus problemas e tudo o mais.
mas vou te dizer: voltar de onibus pra americana, esperar o onibus pra ir pra casa, receber a ligação da carla que estava indo embora pra uel naquele dia, ser raptada pelo pôneis, sentar na calçada da pizzaria, carregar as malas da carla e vir de carona pra casa foram coisas tão simples, mas que simplesmnete me salvaram de coisas que estavam mutio proximas de acontecer.

a conversa que eu tive com ela, e mais uma que eu tive sábado antes de dormir com o allan me fizeram respirar de novo. foi uma sensação inexplicável sair segunda-feira de casa sem aquela cara HORROROSA de morta, sem um nó permanente no coração, com a cabeça erguida. e eu realmente pude ver muitas MUITAS MUUITASSSSS coisas com uma clareza assustadora. agora eu sei.

oque?
por exemplo:
foi preciso um menino de 15 me dizer com todas as palavras 'vo-cê-tem-que-ou-vir-os-ou-tros-os-que-te-a-mam' pra eu sacar como é incrivel a minha capacidade de ter certeza que eu preciso falar horas e aí vão me entender. eu saquei na minha pele, da maneira mais dolorida, que há pessoas nessa vida, POUCAS, que te conhecem, te amam e querem o melhor pra você. e se elas dizem coisas que você não quer ouvir, bem... você tem que ouvir.
discordo de 80% das coisas que ouvi, acho realmente que não era necessária tanta crueldade pro meu lado. mas eu também sei que TUDO TUDO TUDO poderia ter sido evitado se eu usasse mais minhas duas orelhas ao inves da minha boca gigantesca há muuito tempo antes de tudo isso acontecer. se eu tivesse gastado duas horas do meu tempo pra ouvir o que tinham pra me dizer e QUIETA, e olhando nos olhos e tivesse dado um abraço apertado depois... ah. como eu me arrependo.

eu não posso ficar culpando ninguém a não ser eu pelas coisas que eu ouvi.
é claro que tudo isso também envolve um grande amor que eu sinto por ela, e só por isso eu sei que as coisas ficam bem, e ficam deeee verdade.

de resto, tchau e beijos.